sábado, 9 de julho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Anestesia da alma.
Um quarto frio, uma cama vazia e um travesseiro para amparar as lágrimas. O quite solidão! O bônus que recebemos quando a vida parece querer lhe castigar por algum motivo que por você é muito desconhecido, então ela te faz sentir só, largado, sem ninguém, sem ser capaz de encontrar um novo alguém. E eu estou aqui agora, deitada, abandonada, literalmente abandonada. Aquele que dava nome ao meu amor me deixou, disse que não dava mais, simples assim... Disse: “Não posso continuar vivendo algo que pra mim não mais existe”. Eu não existo mais para ele, foi isso que ele quis dizer, só pode! Eu fui o amor para ele e se ele me diz que o nosso amor não mais existe, então também não existo eu. Eu era a menina dos olhos dele, a menina dele, o sentimento mais puro encarnado para fazer a felicidade dele. E agora? Agora eu não sou ninguém, não tenho ninguém, sou um vazio, um nada, sou o passado esquecido de alguém, o meu amor não tem mais nome, sou só eu agora, eu e o meu amor indigente.
Eu vou tentando me acalmar, esquecer, variar os pensamentos. Fecho os olhos e os mantenho assim pra ver se o sono chega e de repente eu me encontre acordando em um novo dia sem ao menos ter percebido o momento em que adormeci. Mas de repente uma angustia surge dentro de mim, eu me encolho apertando o travesseiro contra o meu rosto, sinto um aperto no peito, vem a vontade de chorar, minha garganta dói com o choro preso, tentei segurar, mas eu não aguento então vem o grito, o choro e então... O desespero. Parece que quanto mais lágrimas caem, mais dor eu compro com elas. O choro é incessante, difícil de controlar, cada lágrima caindo na mesma velocidade em que as lembranças vão surgindo em minha mente, lembranças infinitas, choro Infinito.
Uma vez eu li em algum poema que o amor dura para sempre e então eu aprendi isso. Mas olhe para mim! Alguém um dia me fez acreditar na autenticidade desse sentimento por mim e hoje eu vi cada fragmento verdadeiro presente naquelas palavras e atitudes que um dia me convenceram disso, se desintegrar em uma só frase, em um só adeus. O que fazer quando você planeja a sua vida de acordo com outro alguém e de repente esse alguém se vai e leva aquela vida que você tinha planejado junto a ele, te deixando sem mundo e sem vida? No meu caso... Desespera-se!
A minha cabeça dói e os meus olhos começam a arder, não consigo abri-los, se eu tento aquela ardência chata vem obrigando-os a se manterem fechados me fazendo enxergar melhor cada lembrança nova que vem surgindo. Escapa-me um espirro e o meu corpo tremi, eu me abraço e sinto a minha blusa molhada, droga! Estou tão anestesiada pela dor que nem me dei conta antes que a minha roupa esta ensopada, o desgraçado me largou na chuva! É melhor me levantar e tomar um banho quente, quero lavar do meu corpo aquele ultimo abraço dado antes daquelas ultimas palavras, tirar essa roupa fria vai ser só um bônus que vou ganhar ao lavar de mim aquele ultimo toque. Mas antes passo na cozinha para beber um copo d’água, estou soluçando e minha garganta está seca, encontro em cima do balcão uma garrafa de vinho, a mesma que ele pegara na minha adega na noite passada para oferecer a um cliente que jantaria na sua casa naquele dia, mas como saiu com pressa acabou esquecendo quando voltou do carro ao perceber que as chaves haviam ficado aqui dentro. Pego a garrafa e saio da cozinha, afinal, o álcool é a água que mata a sede de uma alma amargurada.
Enquanto passo pela sala vejo a nossa foto na mezinha ao lado do sofá, sinto uma pontada no peito, os olhos enchem de lágrimas e vem novamente aquela dor de choro preso na garganta, Respiro, respiro fundo, dou um gole na garrafa, pego o porta retrato e deito no sofá. Fico encarando aquela imagem feliz e tão distante da minha realidade agora. Fico oras ali vendo, chorando, lembrando e bebendo, bebendo muito inclusive, engolindo sem nem sentir o sabor daquele vinho tão requintado. Tanto tempo deitada agarrada a uma memória congelada em um papel e abraçando a garrafa que no momento é a única coisa que se oferece para me consolar, tanto tempo sentindo tanta coisa e ao mesmo tempo nada e agora me surge um formigamento, meu corpo dá sinal de que está ficando completamente adormecido pelo álcool, percebo que também não tenho muito controle de mim agora, estou bêbada!
Sento no sofá, vem a tontura, vai ser difícil levantar, mas eu consigo e o banheiro não fica muito longe, é só ter cuidado. Fico de pé e estou desorientada, não consigo ver direito o que está a minha volta, pego a garrafa e sigo na direção do corredor, vou esbarrando em tudo, derrubo um jarro no chão, piso e corto o meu pé direito nos cacos de vidro, não sinto nada, apenas ando com um pé um pouco de lado para não sujar o chão de sangue, como eu pensei nisso? Chego ao banheiro, acendo a luz e tento tirar a minha roupa, mas não consigo nem desabotoar a calça, então desisto e entro na banheira já cheia de quando tomei banho mais cedo e esqueci de esvaziá-la antes de sair, dane-se, não ligo! Entro com roupa e tudo, mas não esqueço da garrafa, não mesmo, entro com ela também. Olho para fim da banheira e vejo a água vermelha, o sangue do meu corte subindo, que merda! Mas eu ignoro isso, viro o vinho na minha boca e dou mais um belo gole, fecho os olhos e vou aos poucos afundando na água, tenho sono, estou tão cansada, meu espírito está tão desgastado e meu coração tão maltratado. Adormeço, ali mesmo, ou seria um desmaio? Não importa, dá no mesmo, estou desacordada agora e com a cabeça toda enfiada de baixo d’água, tenho um sonho e nesse sonho ele está comigo, me beijando desesperado, pedindo perdão, implorando para que eu volte para a vida dele, dizendo que me ama, tão lindo, tão perfeito, tão amável, mas é um sonho, a dor me lembra disso. Eu estou sozinha em casa, bêbada, machucada, mergulhada dentro da banheira e apagada. Talvez eu acorde, talvez eu me afogue, talvez eu desperte em um momento sufocado, procurando o ar, ou de repente me encontre em uma outra dimensão, se é que essa seja a palavra correta. Se eu vou despertar eu não sei, mas não ligo, nesse momento eu não ligo, minha alma não sente mais nada e o meu corpo é como se não mais existisse. Não importa o que aconteça, eu não ligo, afinal, ele não está mais aqui.

quarta-feira, 8 de junho de 2011
Ganhando asas.
Onde está o John? Alguém o viu? Alguém o ouviu? O John está por aí em algum canto, talvez escrevendo, ou tocando, até mesmo lendo, mas não está voando. Ele não voa! Diferente de nós o John não tem asas, elas ainda não cresceram. Será doença? Ou castigo dos deuses para com o jovem de alma tão rebelde?
O John canta, toca, desenha, grita, até mesmo chora, eu sei, todo mundo chora. Mas e aí? Alguém o viu? Alguém lá no fundo gritou dizendo que ele estava em casa falando música e compondo voz. O John quer voar não para conquistar o mundo, mas para ganhar o seu! Ele quer poder voar sem ser notado, voar para si e para a pessoa que o ama e que ele ama, voar para impressionar aquela que realmente importa. Mas quem? Quem o John ama? Quem ama o John? Pobre rapaz, sem asas e sem a outra metade.
Pensamentos complicados, espírito rebelde e mundo confuso. Para que vive ele então? Para quem? Para onde ele vai? Nem o próprio mesmo o sabe! O John não tem destino certo, já morou em todo canto, conheceu várias partes do mundo, mas ainda não viu nenhum pedaço do seu. Mas... espere! O que o John está fazendo fora de casa? Aquele homem cuja a mão ele aperta não seria o tal Nicolas? Aquele rapaz tem asas, será que ele vai ajudar a resolver o problema das asas do John? O Nicolas abriu uma caixa mágica e tirou dela um par de asas postiças, e entregou ao rapaz dando lhe também uma direção para ser seguida. Agora John está levantando vôo, um vôo baixo, mas é um começo. Está seguindo a direção que para ele foi recomendada, mas ainda está sozinho. No caminho John vai se arriscando, conhecendo algumas coisas que antes lhes eram desconhecidas, vivendo um destino jamais por ele imaginado, sendo adorado por muitos, mas amando poucos. Vai ficando conhecido por onde passa, mas não conheci a si mesmo. O John casa, descasa, ama, dizama e ainda quebra coisas. Tudo isso na busca da metade que lhe falta. O jovem estava voando... Mas aquela ainda não era a sua asa e o seu vôo era baixo. Um vôo artificial onde ele podia ver tudo por onde passava, mas sem a visão ampla das alturas.
Mas agora... onde está o John? O John se perdeu! Agora ele está se virando vivendo coisas que o mantém de pé, mas não vivo! Nesse momento ele está sentado no chão, as pessoas passam, falam com ele, o cumprimentam, lhe dão coisas, o abraçam, mas não estendem a mão e lhe direcionam para outro caminho, então ele fica por ali, num lugar conhecido por todos mas desconhecido por ele e diferente dele. Vejam! Aquele ali é o Tim e ele está passando! Ele também é um rapaz diferente, mas com asas. Agora o Tim parou e estendeu a mão para o John! John o olhou nos olhos e como num espelho pôde se enxergar. Finalmente ele pôde se achar de alguma forma em algum lugar e em alguém. Ele levanta segurando a mão daquele rapaz e descobre através dele, que estava no caminho do alvo certo, mas errou em atirar para todos os lados o que o levou a vários alvos e o confundiu.
Agora John ganhou um amigo e está seguindo ao lado dele a mesma direção, mas com escolhas diferentes. Agora ele está construindo o seu mundo, ele pode escolher melhor agora, vai pegando as peças que lhe cabem e montando o seu espaço íntimo. E então ele percebe que não podia voar e ganhar o seu mundo porque antes ele não tinha um. Agora sim estava tudo pronto, e olha... o John está de olhos fechados, o que Será que ele vai fazer? Ele está correndo, será que...? Não pode ser... O John está alçando vôo! O garoto ganhou asas! Ele está voando alto agora e esbarrando em alguém também! Desastrado!
Ele está olhando para baixo, vendo a pessoa cair, agora se desesperando e voando na direção dela. Ele tomou aquela pessoa em seus braços e está olhando em seus olhos, é uma mulher, e ele está apaixonado! Finalmente ele sente que encontrou o pedaço que lhe faltava, então decide unir o seu mundo ao mundo daquela que caiu do céu. Era como um anjo!Um Anjo Francês! O anjo da vida de John. Agora ele tem um mundo, uma rebeldia domada, um coração preenchido e a admiração daqueles que um dia o estranharam. O rapaz que tanto procurava inspiração hoje é uma. Ele é o amor da Francesinha, e a Francesinha lhe deu mais dois amores. A árvore do amor de John deu frutos agora!
Agora sim John é um homem completo, com asas e feliz!
Uma homenagem ao Johnny Depp pelo seu aniversário de 48 anos. Um grande ator, homem e pai cujo o tamanho da minha admiração por ele não pode ser estimado.
#HappyBdayJohnnyDepp
domingo, 29 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Um anjo torto.
Era tarde de verão e Yara, sentada á sombra de uma árvore que ficava a beira do lago próximo ao sítio de sua avó, escrevia mais um de seus poemas em uma folha solta de papel de carta fino que pegara escondido nas coisas de sua mãe. Ela cantarolava lindas canções que falavam de amor, sonhos e esperança enquanto criava suas rimas poéticas quando então foi surpreendida por uma breve ventania que passou bagunçando seus lindos cachos largos e negros como o café, e levando com ela o poema que a linda garota escrevia.
Yara correu, na esperança de conseguir alcançar a pequena folha verde água com bordas douradas e preenchida por sua letra, mas o vento foi mais rápido que ela e logo a garota perdeu sua mais nova poesia ao vê-la voar cada vez mais alto em direção ao céu, fazendo até a menina estranhar a forma com que ela subia pois parecia que estava sendo puxada por alguém mesmo que estivesse subindo de forma desordenada, ziguezagueando pelo ar. Então, cansada e com os cabelos desgrenhados que por mais bagunçados que estivessem ainda assim não conseguiam deixá-la menos bonita, a linda garota da pele dourada e olhos castanho esverdeados voltou para casa antes que sua avó desse fé da sua ausência no quarto já que havia fugido pela janela na hora em que deveria estar fazendo o dever de casa.
Na tarde seguinte, Yara aproveitou que sua avó havia ido a cidade resolver alguns problemas no banco – o que a ocuparia a tarde inteira – e foi nadar no lago. O lugar era encantador! Tinha uma grama macia, árvores que ofereciam frutas e sombra, flores que perfumavam e enfeitavam o ambiente, pássaros que faziam a trilha sonora do momento, uma brisa que refrescava e um lago de uma água clara e limpa que dava ainda mais vida e transformava tudo aquilo no mais perfeito paraíso. Antes de mergulhar, Yara tirou sua roupa e sentiu o ar fresco tocar o seu corpo nu, ela adorava aquela sensação e não se importava em estar sem roupa, pois sabia que poucos iam ali e o único sinal de moradia existente nas redondezas era o sitio da sua avó, então ela aproveitava e exibia para a natureza a perfeição de seu corpo que mais parecia ter sido feito a mão. Nada nela era exagerado, suas curvas eram delicadas e sensuais e chamavam a atenção com o dourado da sua pele, seus cabelos eram longos e enfeitados por cachos largos que se destacavam com seus olhos claros e seus lábios levemente carnudos e avermelhados. Era incrível como alguém tão pequeno conseguia chamar atenção e como uma garota de 17 anos tinha o encanto de uma mulher sem a menor intenção e o menor esforço.
Após o mergulho, Yara vestia a roupa quando de repente... “Ai!” Atordoada, levando às mãos a cabeça e os olhos ao céu ela procurou o que poderia tê-la acertado e não encontrando nada olhou em seguida para o chão, onde então avistou um curioso envelope prata amarrado a uma pedra não muito pequena e de cor acinzentada. Apressando-se em terminar de se vestir, a menina pegou logo em seguida aqueles dois objetos, desamarrando o envelope que estava preso a pedra por um pequeno cordão prata, abrindo-o logo depois. Ela tirou de dentro dele duas pequenas folhas, uma verde água com bordas douradas que logo identificou sendo sua poesia que escrevera um dia antes e fora levada pela repentina ventania, e outro papel bem fino, quase transparente, enfeitado com uma bela letra com a tinta na cor prata também. Sentando-se em baixo de uma árvore, a menina começou a ler as palavras presentes naquela pequena carta que traziam a seguinte mensagem:
“Boa tarde doce menina!
Digo doce e menina, porque as palavras que li neste pequeno papel verde água que nesse momento lhe devolvo só podem ter sido escritas por uma garota jovem e encantadora. Peço perdão pela forma com que essa folha foi tomada da Senhorita, é que o vento que passa às três da tarde é um pouco levado e não perde a chance de bagunçar as coisas de alguém. Só que dessa vez acho que ele foi um pouco mais além me trazendo essa pequena folhinha dessa forma tão malcriada. Então, peço, por favor, que o perdoe em meu nome, ele não faz isso por mal.
Atenciosamente...
Príncipe Aislin”.
Ao terminar de ler, Yara não sabia o que pensar daquilo e para ter certeza de que não estava delirando leu mais quatro vezes seguidas o conteúdo daquele curioso papel e vendo que era aquilo mesmo, chegou à conclusão de que não estava entendendo nada e preferiu enxergar a situação como uma brincadeira de mau gosto vinda de alguma das filhas pequenas do caseiro, mesmo sabendo que elas ainda não sabiam ler nem escrever direito, e sem saber onde elas conseguiriam um papel e um envelope como aqueles. Então, ignorando a situação e tentando abafar a desconfiança, Yara guardou sua poesia e aquele bilhete no bolso de sua calça e voltou para casa.
Na manhã seguinte, durante a aula, a menina não conseguia pensar em outra coisa a não ser naquelas palavras com conteúdo curioso. “Príncipe? Perdoar o vento? Como assim?” Yara indagava consigo mesma procurando algum sentido óbvio naquelas palavras, mas não conseguia encontrar, afinal, que príncipe existente no mundo devolveria exatamente a ela um papel qualquer com uma poesia levada pelo vento? Isso era algo que ela com certeza considerava ser impossível e acima de tudo um estado de loucura para quem escreveu aquilo e a loucura certa para quem acreditasse, mas era curioso de mais e aquela pedra era estranha de mais! Ela nunca tinha visto uma pedra como aquela antes, sua cor, sua consistência eram esquisitas, parecia ser de outro planeta. Mas foi na volta para casa – levava uma hora da escola, que ficava na cidade, para o sítio onde Yara morava - que a menina chegou a uma conclusão! Ela iria tirar essa história a limpo com as filhas do caseiro e se a resposta fosse negativa, o próximo passo que daria seria um tanto ridículo para a lógica humana.
Assim que chegou ao sítio, a jovem menina correu para a casa do caseiro e questionou as meninas – trigêmeas – sobre uma suposta poesia que poderiam ter encontrado, lido e respondido com um bilhete, mas elas negaram qualquer tipo de conhecimento ou participação naquilo. Frustrada com a resposta das garotas, Yara correu para a sua casa, subiu até o seu quarto, trocou o seu uniforme por um vestido de algodão na cor azul, enfiou uma toalha, um pequeno caderno e uma caneta dentro de uma pequena mochila, desceu passando pela cozinha para pegar algo para comer e saiu seguindo em direção ao lago. Ao chegar, a linda menina jogou suas coisas em baixo da árvore que costumava ficar sempre, tirou a roupa e mergulhou naquela água tranquila que lhe proporcionava uma sensação de liberdade incrível, pois ali ela podia mergulhar nua sem medo e sem censura, naquele momento era só ela e a natureza onde a única ordem era nadar, sentir o frescor da água no seu corpo e se deleitar.
Ao sair da água, Yara secou-se com sua toalha, vestiu sua roupa, abriu a mochila e retirou dela o pequeno caderno, a caneta e uma maçã que pegara na cozinha de sua casa. Após abrir o caderno ela deu uma mordida na fruta e começou a escrever logo em seguida as seguintes palavras:
“Príncipe Aislim...
Ou devo chamá-lo de “Alteza”? Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por ter devolvido o meu poema, mas quero deixar bem claro desde já que me sinto um tanto ridícula respondendo a sua carta, ou tentando pelo menos, já que não tenho tanta certeza de que ela vá chegar até você, se é que você existe mesmo.
A verdade é que eu achei tudo isso esquisito de mais, nada faz sentido para mim. Primeiro o vento leva a minha poesia e no dia seguinte eu sou atingida por uma pedra não muito pequena bem no meio da minha cabeça e me deparo com um envelope esquisito preso a ela trazendo dentro dele o meu poema e uma carta muito suspeita, com palavras suspeitas, uma letra suspeita, papel, tinta e assinatura mais suspeitas ainda. Se você é um príncipe mesmo eu não sei, mas deixo bem claro que duvido muito de tudo isso, pois essa conversa de perdoar o vento, do vento ser meio traquina e levar coisas para você, pra mim foge da lógica humana e não passam de palavras vindas de um possível lunático ou de alguma criança muito mau criada pregando uma peça muito sem graça. Dito isso, é óbvio que não tenho muita esperança em receber alguma resposta sua.
Mesmo assim, obrigada por ler...
Yara Marcielo.”
Ao terminar de escrever o bilhete Yara o dobrou, e ao olhar no relógio viu que faltavam apenas cinco minutos para as três da tarde e então ficou de pé para aguardar aquela mesma ventania que deu inicio a toda aquela história, e então, no horário exato aquele mesmo vento passou. A menina ficou na ponta dos pés e lançou com força o papel para o alto vendo-o subir imediatamente como o ultimo que da mesma maneira fora levado, então ela deitou na grama e continuou a observar aquele folhinha que ia cada vez mais alto em direção ao céu de forma desajeitada, mas sem perder o seu rumo. “Eu não acredito que estou fazendo isso, só posso ter perdido o juízo!” Pensou a menina incrédula perante sua atitude á uma coisa que fugia completamente do normal. Feito isso, a garota pegou suas coisas e voltou para o sítio a fim de fazer o seu dever de casa e esperar pelo dia seguinte.
Ao retornar da escola Yara recebeu de imediato uma ordem de sua avó que a proibia de sair de casa naquela tarde para que ela ajudasse nos preparativos do jantar que seria oferecido em homenagem ao aniversário de seu avô. “Porque não chama a mulher do caseiro? Sabe que eu tiro a tarde para nadar e escrever, vovó”. Disse a menina atordoada com a idéia de passar o dia presa dentro de casa ajudando sua avó a resolver coisas chatas como decidir se usar talheres dourados ao invés de prata em um jantar de aniversário é exagero ou não. “A mulher do caseiro está responsável pela limpeza dessa casa enorme junto com a empregada, pois não temos muito tempo para por tudo em ordem. E você vai me ajudar a resolver as coisas da mesa e também na cozinha, tem muita comida para ser feita e a cozinheira sozinha não dá conta, preciso de você aqui e é o que vai fazer, vai ficar. Essa é a minha ultima palavra, trate de subir e tomar um banho, depois do almoço começaremos a fazer tudo”. A menina não queria, mas acatou a ordem da avó. “Droga! Logo hoje que eu ia ver se aquele “príncipe” respondeu a minha carta, ou não, e eu tiraria a certeza se isso foi uma brincadeira ou se sou eu mesma que estou delirando”. Resmungou a menina ao subir as escadas. Yara era linda, inteligente e teimosa! Mas passava por cima da sua teimosia quando sua avó precisava de sua ajuda, ela detestava vê-la trabalhar sozinha e mesmo que estivesse cheia de preguiça ou de coisas para fazer, ela não se negava a ajudá-la.
O sol começava a se pôr e Yara estava em seu quarto se preparando para o jantar de aniversário de seu avô. Ela estava linda vestida em um mini vestido justo na cor lilás acompanhado por um par de brincos delicados de pedraria dourada e um lindo par de sapatos de salto alto na cor preta. Ela arrumava seu cabelo em uma linda trança de lado quando se assustou com alguém batendo na porta de seu quarto e chamando o seu nome. Ao abrir a porta viu que era uma das filhas pequenas do caseiro que ao vê-la disparou a falar. “Oi Yara! Hoje eu fui ao lago escondida dos meus pais e das minhas irmãs e enquanto caminhava encontrei esse envelope estranho amarrado a essa pedra com o seu nome nele, então eu imaginei que fosse seu. Mas só te entrego se prometer não contar a ninguém que eu saí escondida”. Com a promessa feita e o envelope na mão - agora livre da pedra que Yara acabara de desamarrar do cordão que ligava os dois - a menina sentou na cama e começou a ler isto:
“Olá mais uma vez, pequena desaforada...
Agradeço por sua gratidão e peço desculpas por ter atingido sua cabeça com uma pedra, eu a amarrei ao envelope para que descesse mais rápido e chegasse logo até você e dou minha palavra de que não foi minha intenção machucá-la, espero que com sorte eu não a acerte dessa vez, e quanto as suas duvidas sobre mim, lamento, mas nada posso fazer! Nunca fiz questão de que me levassem a sério e não é porque uma simples moradora da terra que eu nem conheço de repente duvida de mim, que eu vou enlouquecer e fazer de tudo para fazê-la acreditar na autenticidade do meu titulo e da minha existência. Nada fiz para merecer uma resposta tão malcriada, tudo o que eu fiz foi devolver algo que pertencia a Senhorita, mas creio que isso não foi algo muito inteligente da minha parte.
Mesmo assim, peço perdão por tudo isso!
Príncipe Aislin... Ou “louco lunático” se preferir”.
“Ele me respondeu!”. Sussurrou a menina admirada pegando imediatamente papel e caneta para responder aquela carta, escrevendo essas palavras:
“Príncipe Aislin...
Perdoe a minha forma arrogante na carta anterior, você foi maravilhoso em me devolver a poesia, mas peço que me entenda pois a idéia de estar me comunicando com um suposto príncipe dessa forma tão esquisita não me parece muito certa e nem lógica. Suas cartas caem do céu, e cada vez que vejo uma nova pedra presa a elas fico ainda mais confusa por não saber de que lugar ela seria. Vossa Alteza nunca me disse a que reino pertence, por acaso seria algum Príncipe da Inglaterra? Porque se for gostaria de parabenizá-lo por seu impecável português. Estou confusa e curiosa, por favor, me perdoe e me conte um pouco sobre você, sobre sua vida, sei que não é normal falar da intimidade para um estranho, mas é que essa confusão está me castigando e espero que me compreenda e não me entenda mal. Ficaria eternamente grata se aceitasse minhas desculpas.
Espero não muito tê-lo ofendido...
Yara Marcielo”.
A menina dobrou o envelope e desceu para o jantar de aniversário. No dia seguinte ás três da tarde ela estava no lago lançando mais um bilhete ao vento, e mais um papel pegava carona na ventania e viajava pelo céu com seu destino certo. Então, mais uma mensagem se foi, mensagem essa que teve resposta no dia seguinte para deleite dos olhos ansiosos de Yara que agora liam essas novas palavras de total interesse de sua curiosidade:
“Olá Yara!
Acalme o seu coração! Eu não sou muito de perdoar, mas não nego que apesar de suas palavras insolentes o seu jeito me agradou. Sendo assim, saiba que não guardo mágoas sua e apesar de minha vida não te interessar eu vou falar um pouco de mim para a Senhorita, mas desde já aviso que não há nada de tão interessante, eu sou um poço de tédio.
Vamos começar pela pedra que acompanha minha carta! Ela tem essa cor acinzentada e essa textura diferente de qualquer outra pedra que a Senhorita ou qualquer outra pessoa de seu planeta tenha visto, por um simples motivo: ela não é uma roxa da terra, ela é daqui, da Lua! Meu nome é Príncipe Aislin de Luna e meu sobrenome é assim – Luna – porque este é o nome do meu reino. Quanto ao meu título, confesso que não me incomodei muito quanto a sua desconfiança em relação a ele, afinal de Príncipe eu só tenho o título mesmo, pois nunca quis e nem gostei da idéia de assumir as responsabilidades que ele me trás. Sou conhecido por minha família e por todo o meu reino como o “rebelde” o “elo fraco da corrente”, todos aqui acham que eu sou louco porque ajo e penso diferente. Tenho vinte e um anos e posso com certeza dizer que já vivi muito mais coisas que meus pais e os pais dos meus pais. Por muitos lugares eu já viajei, pegando carona na cauda de cometas conheci vários planetas – inclusive o seu – peguei lindas estrelas para minha coleção, batizei galáxias, fiz grandes amizades com os mais diversos tipos de vida existentes espaço adentro. Enfim! Eu sempre fui aonde quis, comi, bebi, falei e agi como eu sempre quis. Agradeço aos deuses por não me terem concedido a má sorte de ter sido o primogênito, abro mão com todo o prazer desse posto de primeiro filho pro meu irmão baba ovo do reino e do papai, que faz sempre questão de mostrar quão responsável é e o quão inconsequente e menos maduro que minha irmã mais nova eu sou.
De fato eu não nasci para ser príncipe, essa é uma coisa que eu não quero ser, então pra mim, príncipe eu não sou!
Espero que minhas breves, porém sinceras palavras sobre minha história sejam úteis para saciar ou alimentar ainda mais a curiosidade da Senhorita. Espero que me conte um pouco sobre a sua pessoa, também estou curioso...
Príncipe Aislin.”
Yara leu, ficou maravilhada e respondeu a carta:
“Alteza... ou melhor... Aislin...
Obrigada por aceitar minhas desculpas e falar um pouco sobre você! Mas como você mesmo supôs, suas palavras alimentaram ainda mais a minha curiosidade e me encheu de admiração. Algo me diz que na minha vida não vou encontrar alma mais rebelde e mais aventureira que a sua só pelo pouco que me contou, mas... Eu lhe pergunto: Se você não é um príncipe, o que você é? Digo... Como pessoa, quem é você, como se julga? Julga-se uma pessoa boa? Pergunto-lhe isso pelo seu jeito meio ranzinza ( espero que não se ofenda ). E quanto a sua aparência? Você não vive na terra, é da lua, você é humano?
Quanto a mim... bom: Eu adoro ler, escrever, nadar nua no lago, e descobrir coisas novas! Tenho 17 anos, estou no ultimo ano do colégio e quero ser escritora. Adoro música, amo dançar, cantar e chorar com ela. Moro em um sítio com a minha avó e não costumo dar trabalho a ela, a não ser quando eu fujo pela janela do meu quarto para ir ao lago quando eu deveria estar fazendo o meu dever de casa. Meus pais se divorciaram e eu não quis ficar com nenhum deles, pois ambos foram morar em outras cidades e eu não queria ficar longe da minha avó e do sítio, sempre morei aqui com eles, esse lugar faz parte de mim e mesmo que todos não estejam juntos é aqui que eu quero ficar.
Bom... Creio que é só isso. Aguardo sua resposta...
.... Yara Marcielo.
Ela dobrou o papel, guardou, e no dia seguinte na mesma hora de sempre o lançou ao vento. Tendo novamente mais uma resposta...
“Olá de novo Yara...
A nossa “conversa” está se prolongando e pelo visto vai se prolongar ainda mais. Foi bom conhecer um pouco mais sobre você e admito... Estou encantado! Você tem um ar doce e romântico que fazia tempo que não o sentia na minha vida, saiba que está sendo um prazer trocar palavras com você.
Você me questionou sobre “o que eu sou” e essa pergunta me pegou de surpresa! Nem eu sei o que sou ou quem eu sou. Se sou uma pessoa boa ou ruim, também não tenho algo concreto a lhe dizer sobre isso, essa questão quando se trata da minha pessoa varia muito pois eu sempre fui aquilo que senti no momento. Digamos que... Eu sou uma pessoa intensa, se eu amo, amo muito e se eu tenho ódio, eu odeio de verdade. É como se eu tivesse Deus e o Diabo presos dentro de mim e eles se manifestassem cada um em determinada situação, bem intensos... Exatamente como são. No momento eu estou amargo – o que explica o meu jeito ranzinza – a muito tempo não sei o que é dar boas risadas, estou doente, intoxicado por uma fruta desconhecida que comi em um dos planetas que viajei, não tenho certeza se vou me curar embora eu esteja reagindo bem a magia de cura.
Olha... Eu sou humano, mas não como você! Digamos que eu sou a sua raça melhorada, mais rápida, mais inteligente... Coisas assim. Estou mandando uma pintura minha feita por umas criaturinhas simpáticas que conheci na viagem que fiz para o outro lado do arco-íris. Ela parece estar meio borrada, mas é que a arte deles é assim mesmo. Ficaria feliz se me mandasse uma fotografia sua.
Deixo com a Senhorita um abraço meu. Aguardo sua resposta...
Aislin...”
Quando terminou de ler, Yara viu que não havia notado que o envelope dessa vez estava um pouco maior que o normal e que dentro dele havia outro papel além da carta, então ela o tirou de dentro.
A menina ficou encantada com a pequena pintura feita em um tipo de tela fina com textura e tintas diferentes, era um trabalho tão bonito! As cores mostravam um rosto perfeito, que lembrava mais um rosto de um menino e não de um homem de vinte um anos. A pessoa presente naquela pintura tinha uma beleza infantil de uma perfeição surreal. Os olhos tinham um olhar profundo, o nariz era perfeitamente desenhado, a boca levemente carnuda tinha uma sensualidade sutil, o cabelo meio bagunçado trazia um ar de rebeldia, mas sem exageros, tinha também um furinho no queixo e dava pra notar que tinha também olhos claros, verdes talvez. Tudo o que estava ali era perfeito de mais para ser verdade e Yara não conseguia se conter de tanta felicidade, afinal ela estava se comunicando com um príncipe da lua! Um príncipe rebelde e perfeito da Lua! “Isso é mais perfeito que um sonho” pensou a menina enfeitiçada ao ver tanta beleza.
Yara, claro, respondeu a carta e mandou uma foto sua. Aislin ficou maravilhado ao ver uma pessoa tão bela! Eles continuaram a trocar cartas, durantes dias, depois semanas, chagando a meses. Os assuntos eram muitos, eles falavam de tudo e com o tempo a intimidade foi surgindo e ambos abriam-se um com o outro contando segredos, desabafando sentimentos. Yara sabia o quanto o mundo individual de Aislin estava negro e fora de ordem, havia muita mágoa no coração por algum motivo que ele sempre tentava justificar, mas nunca conseguia então ela se empenhou a tentar fazê-lo feliz e a mostrar o quão bom ele era e o quanto a vida dele poderia ser melhor se assim ele o permitisse. Aislin confiava naquela linda menina e mesmo contra a sua vontade ele prometia a ela, tentar ser mais amável com sua família e as pessoas do seu reino, poucas vezes a promessa era feita pensando nele, pois ele sempre prometia por ela, para deixá-la feliz ao fazê-la ver de alguma forma que ele estava tentando ser uma pessoa melhor.
Eles se consideravam grandes amigos, até que um dia uma pequena crise de ciúmes do Príncipe mudou toda a situação. Ele não gostou quando a menina mencionou o seu amigo de infância em uma das cartas onde ela dizia que eles eram muito próximos, tão próximos que as pessoas às vezes até perguntavam se eles namorados. Aislin não gostou dessa parte e respondeu de forma grosseira dando adeus a linda menina que se desesperou em meio a toda essa situação. Após várias cartas se desculpando e explicando que nada daquilo era exatamente como ele julgava, ela recebeu a seguinte resposta:
“Minha doce Yara...
Por favor me perdoe! Você não merecia ter sido tratada assim, de forma grossa, eu sou um grande idiota e você não tem idéia do quanto eu estou me sentindo péssimo e envergonhado agora. Mas ainda assim não estou me sentindo tão mal quanto me senti quando li as suas palavras a respeito do seu tão querido amigo.
Eu senti ciúmes Yara e por um momento tive medo de perdê-la! De repente a idéia de te ver nos braços de alguém me sufocou e então eu percebi que não queria vê-la perto de outra pessoa além de mim, e ao pensar isso me senti o maior egoísta de todos os tempos, afinal nós somos só amigos não somos? Você tem uma vida e um dia terá que amar alguém e desejar tê-lo pro resto da sua vida. E então foi ai que eu percebi que esse alguém não poderia ser outra pessoa além de mim, e mais uma vez a idéia de te ver namorando o seu amigo me sufocou.
É isso mesmo Yara... EU ESTOU AMANDO VOCÊ! Mais do que isso, você se tornou a minha vida, os meus sentimentos, o meu motivo por querer lutar ainda mais para que o meu coração resista a esse veneno que ainda corre pelo meu corpo. Agora que sei o que sinto, mas do que nunca desejo senti-la, mas antes disso preciso saber de uma coisa minha doce menina... VOCÊ QUER SER A MINHA NAMORADA?
Por favor... me permita ser o seu amor...
Deixo a você um beijo meu....
Aislin...”
A garota mal conseguia acreditar nas palavras que havia acabado de ler. “Deus que isso não seja um sonho” sussurrou ela para si mesma. Agora ela tinha não tinha só um amigo perfeito, ela tinha a perfeição pedindo para ser amado por ela como se isso fosse um favor. Deus! É claro que ela queria amá-lo! Ela também o amava há muito tempo, isso era tão óbvio e agora ela se questionava como ela não havia percebido antes e só agora lendo essas palavras ela conseguia enxergar o sentimento que há tanto estava escondido dentro dela. Agora seu coração batia forte e sentia podia como se tivessem borboletas no seu estômago, Yara estava amando! A menina teve vontade de gritar, de correr, de sair abraçando todo mundo e dizendo a toa que um príncipe a amava, que um príncipe lindo e encantador como ninguém jamais havia visto estava caído de amores por ela e agora a queria como namorada! Ela nunca tinha se sentido tão feliz em toda a sua vida e agora queria prolongar essa felicidade , então tratou de responder a essa carta com as seguintes palavras:
“Sim, sim, sim meu amor!
Eu quero ser sua, eu serei sua, eu já sou sua! De todo o meu ser declaro igual amor por você, e te entrego o meu coração! Toma a direção dele, faz o que quiser, pois agora mais do que nunca sei que só assim serei feliz!
Você não sabe o quanto eu queria estar frente a frente com você agora e poder beijá-lo dizendo sim a cada palavra sua escrita naquela carta. Você tornou aquele dia o dia mais feliz de toda a minha vida me fazendo enxergar o quanto eu o amava e me dizendo o quanto eu sou amada por você. EU TE AMO AISLIN e quero sim ser feliz ao seu lado! Prometo amá-lo com toda a minha intensidade e desejá-lo mais que a minha própria vida.
Sim! Eu aceito ser sua namorada....
Yara Marcielo...”
Aislin se sentiu realizado ao ler a resposta de Yara e desde então às cartas passaram a ser cheias de declarações, elogios, mimos e tudo e mais além do que o amor os oferecia. Aislin fazia planos para o futuro ao lado da sua amada, disse que ia vê-la logo, que ia passar um tempo na terra para se conhecerem melhor, que a pediria em noivado e a levaria com ele em inúmeras viagens para apresentá-la todos os mundos que por ele já eram conhecidos e para descobrirem novos mundos juntos. Eles estavam felizes e conforme o tempo passava a necessidade de um contato era cada vez mais intensa, então... O príncipe mandou para o seu amor a seguinte carta:
“Minha sereia dourada...
Há meses nós temos nos falado, e há meses temos nos amado. Mas assim como você, não estou satisfeito com essa distância que só nos tortura quando tanto desejamos nos abraçar e nos beijar e por culpa dela não podemos. Não dá mais para continuar assim e é por isso que eu decidi remarcar a viagem ao seu planeta que seria feita no final desse ano. Por isso, em uma semana estarei aí. Eu vou te encontrar na terra meu amor e finalmente poderemos fazer tudo àquilo que o nosso corpo e o nosso coração tanto anseiam.
Deixo aqui o meu beijo apaixonado....
Aislin...”
“Uma semana! Uma semana!” Gritava a menina enquanto pulava de felicidade a beira do lago depois de ler a carta! Ela mal podia acreditar que em pouco tempo estaria ao lado da pessoa que agora havia se tornado a sua vida, e desde então ela não conseguia parar de contar as horas para acabar o dia, afinal, seria um dia a menos de espera para a chegada do seu amado príncipe rebelde.
Durante a semana eles continuaram se comunicando como de costume – só que agora ainda mais intensos e ansiosos – e Yara não pode deixar de parar e reparar na incrível mudança de Aislin. Agora ele não era mais aquela pessoa amarga que descontava a sua raiva em tudo e todos os culpando por alguma coisa que ninguém conseguia entender, ele havia mudado, estava mais doce, mais leve, feliz, agora ele sonhava, fazia planos desejava viver e parava de pensar na morte por conta do veneno que estava sendo expulso do seu corpo através da desintoxicação pela magia de cura. Era tão bom vê-lo assim, Yara que lutara tanto por isso começava a se sentir ainda mais realizada ao ver que seus conselhos e investidas estavam dando certo.
Faltava apenas um dia para o tão esperado encontro e tudo o que Yara havia recebido de Aislin foi o seguinte bilhete:
“Falta pouco meu amor...
Em breve você estará nos meus braços! Encontre-me amanhã a esta hora da tarde a beira do lago. E prepare o fôlego! Vai precisar de bastante quando eu beijá-la...
Aislin...”
Yara beijou o bilhete e foi para casa aguardar o dia seguinte...
O dia chegou e a menina que ainda nem havia dormido de tão ansiosa que estava, levantou da cama e foi disposta para escola como se tivesse tido uma boa noite de sono. Deveria estar anestesiada pela ansiedade, ela nem sentia o cansaço e só conseguia pensar no fato de que naquela tarde ela estaria nos braços da pessoa que ela mais amava no mundo. Ao chegar em casa Yara ignorou a comida e se preocupou em cuidar dos cabelos, das unhas e da pele, afinal, ela queria estar perfeita quando encontrasse Aislin.
Ás duas da tarde ela já estava no lago aguardando pela chegada dele, e ás três e ponto ela ficou de pé, assim, quando ela o avistasse poderia correr de imediato para os braços dele. Ela estava linda vestida em seu vestido azul turquesa preferido, soltinho, mas sem desvalorizar o seu corpo. Calçava uma sandália delicada, um pouco alta, de pedraria que ajudava a definir sua panturrilha e valorizava ainda mais as suas pernas a mostra pelo vestido curto. Seu cabelo estava solto, os cachos ainda mais definidos e única coisa que os enfeitava era uma linda presilha de borboleta com pedrarias na cor azul e dourada, seu rosto tinha pouca maquiagem, só as maçãs do rosto que estavam um pouco mais coradas e seus lábios estavam ainda mais tentadores com um brilho resultado de um gloss, talvez. Ela estava maravilhosa, e agora tudo o que ela tinha que fazer era esperar e se preparar para beijá-lo.
Passaram-se trinta minutos e o príncipe Aislin ainda não havia chegado. Mas Yara ainda estava de pé, afinal, eram apenas trinta minutos de atraso e ele estaria chegando de uma viagem da lua, sabe-se Deus quantos imprevistos podem acontecer e acabar atrasando-o ao partir de um lugar assim. Mas os trinta minutos transformaram-se em horas e agora a jovem chorava encostada na árvore naquele campo coberto pela noite. Seu coração estava apertado e algo dizia que aquilo não era normal, afinal, porque Aislin a faria esperar tanto por nada? Isso não tinha sentido e se algo desse errado e ele não pudesse ir com certeza ele mandaria uma carta para avisá-la. Não... tinha algo errado nisso tudo e por isso ela chorava.
Passaram-se dois dias e Yara continuava indo ao lago a espera de algum bilhete que justificasse a falta de Aislin, mas nada chegava a ela e a angustia em seu peito só aumentava e a fazia se desesperar ainda mais. Ele nunca tinha deixado de manter contato com ela um só dia e agora fazia três dias – contando com o dia do encontro – que ela não tinha um só sinal dele. “Aconteceu alguma coisa! Meu Deus, por favor! Cuide do meu amor, deixe-o bem!” disse a garota juntando as mãos e orando. E mais uma vez ela voltou para casa, desampara e sem noticias.
No dia seguinte Yara escrevia mais uma carta para o seu amado na esperança de que dessa vez ele a respondesse quando então, uma pequena folhinha com um comunicado escrito e uma fita preta presa a ela caiu devagar em seu colo trazendo a seguinte noticia:
“Comunicado oficial.
O Rei Dallan, comunica a todos do reino de Luna que nesta madrugada de domingo o príncipe Aislin veio a falecer. Em decorrência dessa tragédia todos do reino deverão amarrar essa fita preta que acompanha este bilhete, no seu pulso esquerdo e usá-la por uma semana. Nem um dia a mais e nem a menos.
O Rei saúda a todos.”
Ao ler essas palavras Yara perdeu o ar, o seu choro ficou engasgado e sua mente não conseguia pensar direito. Rapidamente ela se sentiu desorientada, seu peito queimava e o ar não chegava. Suas pernas estavam fracas e quando ela conseguiu ficar de pé, não viu mais nada.
A menina acordou em sua cama, estava tonta e tinha a sua visão embaçada quando tentava enxergar a pessoa que estava ajoelhada ao pé da cama diante dela. “Yara minha filha, você está bem?” Era a voz de sua mãe aflita que Yara imediatamente reconheceu. Ao ouvir essas palavras, a jovem lembrou-se do bilhete que havia lido mais cedo e uma dor como a de uma faca acertando e remexendo em seu coração gritou em seu peito seguida pelo desespero. “Não, mãe! Por favor, me diz que é mentira! Diz-me que o amor da minha vida está vivo, me diz que ele não morreu. Por favor, me diz isso ou eu vou morrer também, a minha vida estava presa a ele, ele não pode ir, se ele for eu morro também você me entende?” Chorou a menina desesperada se jogando nos braços da mãe e afundando seu rosto em seu peito. “Eu não posso acreditar, Aislin não pode estar morto isso só pode ser mentira, um mal entendido, uma travessura de alguém ou dele mesmo. MORTO mãe, a carta dizia que ele estava MORTO e eu não pude nem tocá-lo! Como eu poderei viver com a idéia de que o homem da minha vida se foi sem eu ao menos tê-lo beijado? Amaldiçoado seja esse dia em que Deus resolveu tomar de mim a felicidade! Como pode de uma hora para outra um sonho lindo tornar-se um pesadelo? Parece que o amor veio a mim em forma de areia e quando eu o agarrei ele se foi entre os meus dedos. Como vou passar os meus dias sem uma única carta, um único sinal de vida? Quem vai dizer que me ama agora? Quem vai me fazer suspirar? A QUEM EU VOU AMAR? Eu estava transbordando vida e agora estou seca! O que fiz para merecer tamanha desgraça? O que eu fiz mãe?” Sara não conseguia falar nada, só abraçava forte a filha e involuntariamente as lágrimas correram pelo seu rosto. Ela nunca a tinha visto sofrer daquela maneira e embora não estivesse entendendo muito bem o que estava acontecendo, ela sabia que sua filha tinha perdido um pedaço da sua vida naquele dia.
Passava da meia noite e Yara ainda chorava muito, sua dor era incontrolável e ela não parava de gritar num misto de tristeza, raiva, inconformismo e incredulidade. Sem saber mais o que fazer, Sara – sua mãe – dissolveu um calmante em copo com água e forçou com muito sacrifício que sua filha o tomasse. Passaram-se vinte minutos e Yara estava dormindo, o rosto encharcado de lágrimas e as mãos agarradas ao lençol como se buscassem forças em alguma coisa. Sara beijou aquela garota com a aparência sofrida, em seguida apagou a luz e saiu do quarto com dor no coração ao ver aquela que era o seu mundo, tão fragilizada daquela maneira. Então ela respirou fundo, fechou a porta e partiu em direção ao seu quarto na certeza de que o forte remédio faria a jovem descansar durante toda a madrugada.
Às três horas da manhã Yara acordou com um forte clarão em seu rosto ele vinha da janela e foi diminuindo aos poucos. Então ela levantou – cambaleando um pouco por conta do stress e do forte remédio – e seguiu em direção á janela que agora aberta, deixava o vento frio entrar. Ela olhou para fora e procurou olhando para todas as direções se perguntando o que teria sido aquilo e o que causaria tal clarão e quando viu que nada havia encontrado fechou a janela descendo em seguida a cortina. Ela sentou a beira da cama e virou-se para o criado mudo que ficava ao lado na intenção de dar um gole no copo com água que sua avó sempre fazia questão de deixar ali, ao lado. E então... Uma surpresa! No lugar do copo ela encontrou um bilhete prata preso a uma caixinha não muito pequena bem antiga, de madeira, com lindas esmeraldas cravadas nela. Ela reconheceu aquele bilhete e com os olhos cheios de lágrimas e o coração apertado, ela ligou o abajur para poder ver melhor aquele objeto desconhecido que acompanhava uma linda coisinha que por ela era muito conhecida. E ao abrir o envelope suas mãos tremeram ao tocarem um lindo bilhete que trazia aquela letra que ela tanto amava e que agora sentia falta. As lágrimas começaram a correr bem rápidas em seu rosto, era difícil se controlar naquele momento, afinal aquela carta e aquela letra só poderiam ser de uma só pessoa e essa pessoa segundo o seu conhecimento estava morta agora, então Yara respirou fundo, as mãos trêmulas e frias segurando papel, a voz presa custando para sair lendo as seguintes palavras:
“Minha sereia dourada...
Meu mundo, meu coração, meu amor, minha razão. A ÚNICA há qual um dia o meu coração amou e agora vai amar eternamente!
Sei que você já sabe que eu não pertenço a mais nenhum desses mundos e sei também o quanto o seu coração está sofrendo. Você não tem idéia meu amor do quanto está me fazendo mal te ver assim, chorando, se desesperando, lamentando e amaldiçoando a sorte por eu não estar mais encarnado em meu corpo. E é por te ver sofrendo que venho aqui pela ultima vez te deixar as minhas palavras.
Você já sabe que você me fez bem, mas você não tem idéia do quanto, então a primeira coisa que vou deixar claro aqui é o bem que você fez a minha vida. Você me fez amar e me deu a oportunidade de ser amado pela garota mais linda e encantadora de todo o mundo! Com você eu fui feliz e graças a você eu ainda posso ser, pois cada coisa que ao seu lado eu vivi e aprendi estão gravadas dentro de mim para todo o sempre. Você me fez querer viver, me fez sonhar, me fez reagir quando eu já me sentia morto! Você foi a minha vida e é até hoje, eu serei grato eternamente aos deuses que te puseram na minha vida e me deram a chance de ser alguém de verdade e de sentir de verdade, porque até então eu estava preso a sentimentos ocos que só aumentavam ainda mais o meu vazio.
Meu amor! Eu sei que agora dói que parece que o mundo inteiro está contra você, mas tudo isso vai passar amor, TUDO PASSA, e um dia você não irá lembrar mais de mim com tristeza e sim com alegria, porque você só irá lembrar da minha vida e não da minha partida. A morte pra mim está sendo só o começo de uma nova vida, eu sempre quis ser livre, você sabe! E os deuses viram que esse mundo era pequeno demais para mim, então eles me trouxeram para um novo mundo e me deram asas meu amor! Sim, asas! Agora eu posso voar sozinho sem precisar pegar carona em cometas e também viajo agora em outras dimensões além dessa na qual você se encontra agora. EU SOU UM ANJO AGORA MINHA PRINCESA! REBELDE, TEIMOSO, ÀS VEZES MALCRIADO E AVENTUREIRO COMO SEMPRE. Você ganhou um anjinho da guarda agora meu amor! Então por favor, seja feliz e com um tempo abra o seu coração para alguém que a mereça tanto quanto eu – aquele seu amigo quem sabe? – Mantenha-se a menina viva e feliz de sempre, aquela da poesia encantadora que eu conheci.
Ah! Antes que eu esqueça! Sabe essa caixa que está acompanhando o envelope? Tem um presente nela pra você. É minha estrela preferida e eu não poderia confiá-la a mais ninguém, só poderia entregá-la ao grande amor da minha vida. Eu a batizei... Seu nome é Yara, dei a minha melhor estrela o nome da melhor e mais linda garota do mundo! Sempre que sentir saudades de mim leve-a a algum lugar com pouca luz e abra a caixa, o brilho dela será a minha vida que hoje brilha graças a você. AMAREI-TE POR TODA A ETERNIDADE!
Beijos do seu anjinho torto!”
Yara mais uma vez não se conteve e começou a chorar novamente, ela pegou aquela linda caixa e a pôs no colo. Ao abri-la teve o rosto iluminado por uma Luz forte que a acalmou, aquela estrela era realmente linda, seu brilho era diferente, desordenado, tinha certas variações, ela nunca brilhava de forma constante, sua luz tava sempre oscilando, mas sem jamais perder a sua força. Então ela pôde entender porque Aislin gostava tanto daquela estrela, ela era exatamente como ele, tinha um brilho inseguro, mas nunca deixava de brilhar. Brilhava a sua maneira, desajeitada, mas nunca passava por despercebida. E então... Yara Sorrio, fechou a caixinha e deitou agarrada a ela caindo então num sono calmo e profundo. E naquela noite ela sonhou com o seu grande amor, e no sonho ela pôde beijá-lo, e abraçá-lo. Ela não o sentia com o toque, mas sentia com o coração e mesmo sendo um sonho, teve certeza de que ele realmente estava ali, encontrando-a finalmente, e selando a lembrança daquela amor por toda a eternidade.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
Não era apenas um estranho.
Era exatamente meia noite e Sara estava sozinha chorando desesperadamente no apartamento que dividia com o seu namorado Miguel. Ela estava desolada, afinal o homem que ala amava acabara de sair pela porta dizendo aos berros e cheio de ódio que nunca mais queria vê-la em sua vida, que ia embora e que não mais voltaria e que não era capaz de amar uma assassina. Sua dor era tão física quanto psicológica, afinal não são todas as mulheres que conseguem agir tranquilamente após cometerem um aborto, ainda mais no caso dela que crescera num lar religioso com uma mãe que condenava amargamente as mulheres que cometiam tal ato. Assassina? Então é isso o que eu sou agora? Uma assassina? Um monstro? Perguntava-se Sara desesperada prestes a enlouquecer com a culpa que reinava agora em seu pensamento. Mas ela não sabia por que se sentira tão mal agora, já que quando decidiu fazer isso parecia ser tão certo, afinal ela estava protegendo o seu futuro e o futuro de Miguel, pois ambos haviam acabado de ingressar na faculdade e uma criança agora seria um grande empecilho para os planos perfeitos dos dois.
Perturbada e sem saber o que fazer, Sara levantou-se do sofá, ainda com dor, seguindo até o seu quarto para pegar seu casaco vermelho com capuz que ganhara de Miguel em um dia comum, afinal ele sempre dizia que não era necessária uma data especial para se presentear alguém que ama. Após pegar o casaco, Sara passou pela sala pegando suas chaves que estavam em cima da mesa seguindo então em direção a porta. Ao sair do prédio percebendo que chovia mais do que imaginava e ignorando mesmo assim, ela começou então a caminhar sem rumo algum entrando rua após rua sem nenhum destino certo até que então se deparou com uma boate qualquer em uma esquina e sem pensar duas vezes entrou com a roupa molhada e o rosto lavado pela água da chuva que levou junto a ela cada lágrima de desespero derramada enquanto caminhava naquela madrugada.
O lugar não tinha nada de incomum, talvez só o fato de estar aberto em plena a terça-feira, o que também explicaria o pequeno número de pessoas presente. A maioria delas estavam sentadas em sofás que ficavam no canto para garantir um lugar mais reservado, as outras estavam dançando, não tinha ninguém no bar então foi para lá que Sara seguiu sentando-se imediatamente e pedindo um refrigerante para o garçom já que não bebia nenhum tipo de bebida alcoólica. Sua garganta estava seca e seu estomago doía de fome, há um dia ela tinha feito um aborto e desde então não conseguira comer nada, perdera totalmente o apetite e agora seu estômago parecia reclamar, não trazendo com ele uma sensação de fome, mas de dor, um pequeno incômodo no estômago para combinar com sua forte e constante cólica que não lhe dava paz a exatas vinte e quatro horas.
O refrigerante chegou e Sara recusou o copo que o garçom lhe ofereceu, abrindo a lata e pegando um dos canudos presos a um suporte no balcão, deu o seu primeiro gole, colocou as duas mãos no rosto e começou chorar. Ela não conseguia parar de pensar um minuto se quer no que havia feito, sabia que iria se sentir culpada por toda a vida, e o que é pior, ela estava sozinha agora, sem ninguém, não poderia contar nem com os seus pais, afinal eles a julgariam ainda pior e a tomariam por motivo de vergonha, como a filha que pôs fim a uma vida. Seu choro foi interrompido por uma voz rouca, porém macia, surgiu do seu lado dizendo: “Morena, olhos castanhos, cabelos longos e lisos, corpo escultural. Esse lugar é um tanto inconveniente para uma jovem tão bonita e sozinha não acha?”. Sentindo-se incomodada à jovem virou-se para o rapaz que havia acabado de sentar ao seu lado e quando estava prestes a atingi-lo com algumas palavras de incomodo e insatisfação, ela foi então surpreendida ao perceber que o tal incomodo vinha de alguém incrivelmente perfeito. Sim ele era um estranho, mas um estranho lindo! Alto, loiro, forte, olhos verdes e um furinho no queixo que o dava ainda mais charme. Desculpe! O que disse? Foi só o que ela conseguiu dizer ao encarar aqueles olhos que a fitava tão intensamente. Ele pediu pra que ela esquecesse o que ele havia dito e então se apresentou, e logo ela soube que o nome do tal estranho era Gabriel, um nome doce para um homem encantador, pensou ela. Ela realmente havia gostado do que viu e agora que sabia o nome dele, ele não era mais um estranho pra ela, pelo menos era o que ela achava.
Ela se apresentou e ele logo tratou de iniciar uma conversa, perguntou o que a levou até lá sozinha e àquela hora da madrugada e porque ela estava chorando. Ela contou toda a história e ficou impressionada em como ele havia encarado tudo aquilo, sem a julgar o rapaz a ouviu e entendeu os motivos que a levara a tomar tal decisão e em momento algum a olhou com indiferença ou espanto, o que finalmente a fez sentir que não estava sozinha e que alguém no mundo a compreendia. Enquanto conversavam ele a convenceu a beber algo com um pouco de álcool, mas nada tão agressivo, como um vinho no caso. Disse que isso a faria relaxar um pouco, o suficiente para não ter que encarar tudo aquilo como o grande problema que era pelo menos por um momento, ela aceitou e ele a acompanhou é claro e entre uma taça e outra antes que Sara percebesse, ela começava a ficar bêbada e já não sentia mais dor ou fome alguma.
Sara ria de uma piada que Gabriel havia terminado de contar quando o DJ começou a tocar “Sexy bitch” do david guetta. Cara, eu adoro essa música! Disse ela empolgada puxando o rapaz para o meio da pista de dança começando então a dançar com aquela batida cheia de sensualidade junto a ele. Ela estava extremamente linda e sensual mesmo usando apenas uma calça jeans, uma camiseta básica, um casaco vermelho e um All Star. Enquanto dançava ela cantava acompanhando a voz do Akon no momento dele na música, e fitando os olhos do rapaz começou a tirar o casaco lentamente lançando-o em seguida por trás do pescoço dele e puxando-o para mais perto dela dando-lhe então um beijo. Ele a agarrou firme pela Cintura mantendo os corpos bem colados, e ela segurava firme e acariciava o cabelo dele até que então o clima começou a esquentar. Que tal sairmos daqui e irmos para um lugar mais legal e que nos deixe mais a vontade? Perguntou Gabriel com uma voz intensa e sedutora. E para onde você me levaria? Sara perguntou de volta. Isso é segredo! Ele respondeu puxando ela pela mão e levando-a para fora da boate e em direção ao seu carro.
Miguel, que passava dentro de um taxi no momento em que Sara e Gabriel entravam no carro, pediu que o motorista diminuísse a velocidade ao perceber que sua namorada estava bêbada, o que definitivamente não era normal, e sem querer fazer uma cena pediu que ele seguisse um pouco mais adiante e estacionasse o carro no acostamento para esperar o carro em que Sara e tal rapaz estavam. Quando passaram, Miguel pediu que o motorista os seguissem e enquanto os acompanhava ele estranhou a estrada que tomavam, ela dava para uma antiga reserva abandonada cheia de árvores e com a mata alta em alguns lugares. Ele tentou usar o celular para ligar para Sara e perguntá-la onde estava para ver o que ela responderia, mas não tinha área e o aparelho estava sem sinal, então ele fechou os olhos por um minuto e pensou em tudo o que havia acontecido naquela noite. Creio que nós os perdemos Senhor! Disse o motorista. Como assim os perdemos? Perguntou Miguel surpreso com o que ouviu. Então o taxista explicou que eles haviam entrado na mata e que não poderia seguir adiante e correr o risco de danificarem os pneus e acabarem ficando presos ali. Então ele pediu ao motorista que o esperasse enquanto ele ia atrás deles, desceu do carro e seguiu em direção a mata fechada, ele não sabia como iria encontrá-los no meio daquilo tudo, mas sabia que corria um grande risco de se perder naquele lugar.
Enquanto isso Sara e Gabriel iam cada vez mais mata adentro até que chegaram a um lugar próximo a um penhasco sem mata alta, com apenas uma árvore no canto e com uma visão limpa do céu. Ela ficou enfeitiçada com a beleza do lugar e então olhou sorrindo para o rapaz e perguntou o que eles iam fazer para aproveitar um cenário tão maravilhoso, então ele a puxou para mais perto e a beijou. Você é tão boba Sara! Disse Gabriel sussurrando em seu ouvido. O que disse? Perguntou ela de volta. Como pode confiar tanto assim em um estranho qualquer? Respondeu ele com outra pergunta. Assustada Sara o empurrou e ao encará-lo não podia acreditar no que via. Aquele não era mais o Gabriel, alguma coisa havia mudado em seu rosto, foi aí então que ela notou que seus olhos agora eram negros e sem vida. Assustada e sem entender o que era aquilo, Sara abriu a porta do carro e correu em direção à mata, ela não sabia o que ele era, mas sabia que não era normal e que aquela coisa queria matá-la, então ela correu sem nem ao menos tentar lembrar o caminho que a levaria para a estrada, ela apenas correu, correu para tentar se Salvar.
Enquanto corria, Sara via aquela coisa surgir a cada momento em um lugar diferente, hora em cima das árvores, hora entre os arbustos e às vezes até mesmo cruzando a sua frente, o que a deixava ainda mais desesperada fazendo-a correr ainda mais. Ela entrou em meio a uma mata ainda mais fechada e cheia de galhos de plantas menores que machucavam a sua pele e rasgavam a sua roupa, até que então um desses galhos pequenos acertou os seus olhos deixando-a cega por um momento fazendo-a tropeçar e cair no chão batendo com a cabeça. Quando acordou ela estava de volta aquele lugar próximo ao penhasco, mas agora estava nua e tinha o seu corpo todo arranhado, ela havia sido arrastada até lá e agora estava novamente cara a cara com aquela criatura. Porque está fazendo isso comigo? O que você quer de mim?Por favor diga quem é você! Perguntou a jovem chorando desesperadamente. Vou começar pela última pergunta! Eu sou um demônio Sara e estou fazendo isso porque quero matá-la, quero a sua alma para fazê-la arder no inferno junto com os outros que já estão lá. E eu te trouxe até aqui só para acabar com você! Tenho te seguido dia após dia desde o momento em que se teve indicio da sua existência e venho planejando isso cuidadosamente. Só não sabia que seria assim tão fácil! Acho que dos meus trabalhos você foi o mais fácil. Deixe-me explicar o que faço: A cada pessoa que existe um demônio a persegue vinte e quatro horas por dia desde o momento em que ela é gerada, e você foi a minha sorteada Sara, e a cada segundo da sua vida eu estava lá, observando você e esperando um vacilo seu para que eu tivesse espaço para acabar com a sua vida, e esse momento chegou no exato instante em que cometeu aquele aborto trazendo a desolação e o desespero para a sua vida, e tudo o que eu tive que fazer foi te dar um pouquinho da minha atenção. É incrível como o ser humano se desespera fácil e se entrega rapidamente a qualquer coisa que lhe aparente segurança sem nem ao menos ter certeza se é ou não realmente seguro.Respondeu por fim a estranha criatura. Ainda mais desesperada com o que acabara de ouvir Sara olhou para o lado em busca de algo para se defender e então viu uma pequena cruz velha e enferrujada próximo à árvore, meio escondida em umas folhagens, com dor ela se arrastou com dificuldade em direção ao objeto e ao pegá-lo o apontou em direção ao demônio ordenando que se afastasse dela, mas ele só fazia rir de toda a situação chegando cada vez mais próximo dá jovem indefesa, e quando ela o viu bem perto, Sara deu o seu ultimo grito de desespero, e então o seu mundo se fez trevas.
Já estava amanhecendo, e ao ouvir o grito de Sara, Miguel que ainda a procurava percebeu a direção que deveria tomar e então correu aflito ao imaginar que o pior poderia estar acontecendo. Ele correu o mais rápido que podia, foi até o seu último limite e ao avistar através dos arbustos o carro em que vira Sara e o estranho juntos, parou estranhando a calma do local e fitou intensamente o veículo à distância. E então, aos poucos ele foi se aproximando e ao chegar no lugar exato, teve então uma terrível surpresa! DEUS! QUE MERDA É ESSA? Gritou o jovem aflito ao se deparar com o corpo nu e inteiramente machucado de uma mulher pendurada de cabeça para baixo por uma de suas pernas numa árvore, com o rosto totalmente desfigurado e uma cruz enferrujada enfiada em seu ventre.
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